01 · Método · Setembro, 2026 · 6 min de leitura

O teste dos dez anos: tendência ou atemporalidade?

Antes de aprovar uma cor, um material ou uma peça, três perguntas simples decidem se a escolha vai envelhecer bem — ou ficar datada em poucos anos.

Sala integrada de pé-direito alto com forro de madeira, paleta neutra e luz natural ampla.
Duas escolhas, dois destinos: uma envelhece bem, a outra não.

Muita gente monta o projeto pensando no que está em alta agora. Alguns anos depois, o ambiente já parece datado. Não porque a tendência era ruim — mas porque a escolha não foi pensada para durar.

Datado não é sobre um estilo envelhecer mal. É sobre a ausência de um critério no momento da decisão. Uma cor, um material, uma peça: qualquer escolha pode envelhecer bem ou mal, dependendo de por que ela foi aprovada. Por isso, antes de decidir se algo é tendência ou se é atemporal, há três perguntas que valem a pena fazer sempre.

A primeira: essa escolha depende de uma cor ou de um material específico do momento? Uma paleta muito associada a uma época, um acabamento que só existe porque “é o que todo projeto está usando agora” — isso não significa que a escolha seja ruim, mas significa que ela tem prazo de validade embutido. Materialidade que não depende de moda — pedra, madeira maciça, metais que envelhecem com pátina em vez de sair de linha — tende a atravessar décadas sem pedir desculpas.

A segunda: ela resolve uma função real da rotina, ou só está bonita numa foto? Essa é talvez a pergunta mais reveladora. Existe uma diferença grande entre projetar para a câmera — para o portfólio, para o feed — e projetar para a vida real de quem vai habitar o espaço todos os dias. Uma peça pode ser fotogênica e, ainda assim, não ter função nenhuma na rotina de quem mora ali. Função é o que sustenta uma escolha depois que o efeito visual da novidade passa.

A terceira: você ainda vai gostar disso depois de dez anos, ou é uma coisa momentânea — porque está todo mundo postando, talvez? O teste dos dez anos é o mais honesto de todos, porque tira a decisão do campo do impulso e coloca no campo do apego. Não é só sobre não enjoar visualmente. É sobre se aquela escolha vai continuar fazendo sentido conforme a vida de quem mora ali muda.

A gente não trabalha contra tendência. A gente trabalha a favor do que fica.

Detalhe de banheiro com revestimento de pedra natural, bancada de madeira maciça e toalhas de tecido natural.
Materiais que não perguntam que ano é.

Isso não significa recusar tendência por princípio. Significa não deixar que ela seja a base do projeto. Uma cor da estação, um objeto de desejo do momento, uma referência que está circulando — tudo isso pode entrar como tempero, como camada que se troca com o tempo, sem comprometer a estrutura do que foi pensado para durar. O problema nunca foi a tendência em si. É quando ela vira fundação.

Essa é também uma forma diferente de entender elegância. Elegância não é sobre estar na moda. É sobre ser funcional. É sobre trazer bem-estar — para quem vive o espaço hoje e para quem vai continuar vivendo nele daqui a uma década. Um projeto elegante não é o que impressiona na primeira semana; é o que continua fazendo sentido depois que a novidade parou de ser novidade.

No fim, as três perguntas não servem para descartar tendência — servem para separar o que é decisão estrutural do que é decisão de superfície. E é exatamente essa separação, feita com critério antes da execução, que evita o desconforto de olhar para um ambiente alguns anos depois e sentir que ele já não representa mais nada.

Sala de estar habitada com poltronas, tapete de fibra natural e cortinas filtrando a luz.
O teste real não é a foto — é o uso, todos os dias, por anos.

Para levar ao projeto

  • 01Antes de aprovar uma escolha, pergunte: ela depende de uma cor ou material do momento?
  • 02Pergunte também: ela resolve uma função real da rotina, ou só fica bonita em foto?
  • 03Imagine o ambiente daqui a dez anos — você ainda vai gostar dessa escolha?
  • 04Priorize decisões estruturais (luz, proporção, materialidade) sobre decisões puramente decorativas ao pensar em durabilidade.
  • 05Trate tendência como tempero pontual, não como base do projeto.

Jornal Luciana Tomas

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Um espaço começa muito antes do desenho.

Se você está imaginando uma nova casa, um novo ambiente ou uma transformação completa, o primeiro passo pode ser uma boa conversa.