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03 · Materiais · Junho, 2024 · 6 min de leitura

Por que ainda desenhamos com concreto na era digital

A materialidade honesta como resposta ao excesso — uma defesa do peso, da textura e da permanência em tempos líquidos.

Em resumo

Desenhamos com concreto porque ele tem peso, guarda as marcas do processo e envelhece acrescentando camadas. Em um cotidiano cada vez mais imaterial, ele lembra que habitar é uma experiência física — desde que a escolha tenha propósito, não seja só código visual.

Banheiro com painéis de concreto aparente, forro de madeira, bancada de pedra bruta e janela para o jardim.
Planos de concreto aparente em diálogo com madeira e vegetação.

Vivemos cercados por superfícies que respondem ao toque, imagens que desaparecem em segundos e objetos projetados para serem substituídos. A experiência cotidiana se tornou mais rápida, leve e imaterial. Nesse cenário, desenhar com concreto pode parecer um gesto contraditório. Talvez seja justamente essa contradição que o torna tão atual.

O concreto tem peso. Guarda marcas do processo, revela pequenas variações e registra a maneira como foi moldado. Mesmo quando cuidadosamente executado, nunca é inteiramente neutro. Ele mantém uma presença que não pode ser reduzida a uma imagem.

Na arquitetura, essa materialidade oferece algo raro: permanência sensorial. Sentimos a temperatura da superfície, percebemos sua densidade e observamos como a luz altera sua aparência ao longo do dia. O material não funciona apenas como suporte da forma. Ele participa da atmosfera.

Isso não significa defender o concreto como solução universal. Todo material precisa responder ao lugar, ao uso, à escala e às pessoas. A honestidade material nasce quando a escolha possui propósito — não quando é utilizada apenas como código visual.

Em uma realidade cada vez mais imaterial, a arquitetura continua sendo aquilo que o corpo pode tocar.

Banheiro com parede de pedra natural e marcenaria de madeira.
A pedra natural mostra sua textura e suas variações sob a luz.

O concreto pode ser estrutural e, simultaneamente, acabamento. Pode organizar grandes vãos, formar planos contínuos ou estabelecer um contraponto silencioso à madeira, ao tecido, à vegetação e à luz natural.

Sua força também depende do que o acompanha. Próximo da madeira, o concreto parece mais sereno. Ao lado do vidro, ganha profundidade. Na presença da vegetação, torna-se parte de uma composição viva. A boa arquitetura não trata os materiais como elementos isolados, mas como vozes de uma mesma conversa.

Há ainda uma dimensão temporal. Algumas superfícies tentam esconder a passagem dos anos; outras sabem envelhecer. O concreto pode ganhar pequenas mudanças de tonalidade e marcas de uso sem perder sua integridade. Quando bem especificado e executado, o tempo não o destrói visualmente: acrescenta camadas.

Na era digital, talvez não continuemos desenhando com concreto apesar de sua materialidade, mas por causa dela. Ele nos recorda que habitar é uma experiência física. Uma casa não é apenas uma composição para ser fotografada. É sombra, temperatura, acústica, textura e duração.

Interior residencial que combina concreto, madeira e tecidos naturais.
Interior sereno: concreto, madeira, linho e paisagismo em equilíbrio.

Para levar ao projeto

  • 01Escolher materiais pelo desempenho e pela experiência que oferecem.
  • 02Observar como cada superfície reage à luz natural.
  • 03Combinar materiais densos e acolhedores para equilibrar a atmosfera.
  • 04Considerar manutenção, envelhecimento e execução desde o início.
  • 05Evitar o uso de concreto aparente apenas como tendência estética.

No escritório

A escolha de cada material, pelo desempenho e pela experiência que oferece, faz parte de todo projeto do escritório.

Arquitetura de interiores →

Jornal Luciana Tomas

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Um espaço começa muito antes do desenho.

Se você está imaginando uma nova casa, um novo ambiente ou uma transformação completa, o primeiro passo pode ser uma boa conversa.